11/01/2015

10 COISAS QUE UM MÚSICO NÃO DEVE FAZER NA LITURGIA


Virou uma febre nas redes sociais os textos em formato de listas. Parece ser uma metodologia bem didática e bastante apropriada para o rápido ambiente virtual. Resolvi então aderir à moda e exercitar essa maneira diferente de escrever aproveitando um tema bastante comum e que costuma gerar tantos problemas na nossa igreja. Não sou um especialista em liturgia, mas ao longo da minha caminhada, estudando, praticando e vendo outros grupos de música acho que aprendi pelo menos essas coisas…

1)  Vestir-se inadequadamente


Palco é palco, altar é altar. É comum que um artista faça do seu próprio corpo uma extensão da sua expressão; no entanto, a liturgia não é um lugar de expressar sua individualidade a ponto de roubar a atenção do principal: o mistério que está sendo celebrado no altar. Atualmente as equipes de música vêm ocupando lugares no templo bastante destacados (ao contrário de quando escondiam-se nos “coros”), muitas vezes ao lado do altar. A preparação, portanto, deve começar quando você abre o seu armário e escolhe a sua roupa. Sobriedade e discrição são a norma.

2)  Chegar em cima da hora


Tocar e cantar numa missa são responsabilidades muito grandes e muita coisa pode dar errado: um cabo que resolve chiar assim que se liga, uma bateria do violão que precisa ser trocada, uma extensão de força que não está no armário como deveria estar (“quem foi que usou por último, hein??”). Sendo assim, os músicos devem chegar a tempo suficiente de deixar tudo perfeitamente preparado para quando a missa começar, para não ter que cometer o abuso de afinar o violão somente durante a primeira leitura.

3)  Cantar e tocar sem ensaio


Se com ensaio a quantidade de erros que vemos numa celebração já é enorme quanto mais sem ensaiar… É bom que todo grupo de música tenha um repertório básico ensaiado para qualquer situação e que ensaie uma ou outra música específica para aquela celebração, seja por uma solicitação do celebrante, seja por uma exigência litúrgica.

4)  Substituir os cantos do ordinário por outras músicas quaisquer


Momentos específicos da liturgia como o Ato Penitencial (Kyrie), Gloria, Santo (Sanctus) e o Cordeiro (Agnus Dei) são parte integrante da celebração. Da mesma forma que o padre não pode substituir a Oração Eucarística por uma outra oração qualquer, se esses momentos da missa forem cantados, a letra deve respeitar as fórmulas prescritas pela Instrução Geral do Missal Romano. Essa inclusive é uma ótima oportunidade para estimular os compositores da paróquia a fazerem novas melodias para esses momentos.

5)  Escolher as músicas sem ler as leituras do dia


A liturgia não é uma audição onde você escolhe as músicas que melhor se adequam à sua voz ou a que o guitarrista tirou o solo “igualzinho ao do CD”. As músicas devem ser escolhidas de acordo com o que está sendo celebrado naquele dia, levando-se em conta as leituras do dia e o tempo litúrgico. Ao preparar-se para a liturgia, faça uma lectio divina com as passagens que serão lidas e somente a partir daí escolha as músicas do dia.

6)  Fazer firulas vocais e instrumentais excessivas


Sim, você sabe cantar. Sim, as pessoas sabem disso. Sim, você não precisa sambar na cara da sociedade quando cantar aquela música que parece que foi feita para você. Você está lá para ajudar as pessoas a cantar, não para cantar no lugar delas. Há cantores que atrapalham mais do que ajudam quando cantam, usando divisões rítmicas diferentes, tons inadequados para a assembleia e que quando acabam só falta o povo levantar e aplaudir. Menos, queridos, menos.

7)  Conversar durante a celebração


Na verdade, essa recomendação não se restringe somente aos músicos, mas a qualquer membro da assembleia e é uma questão de educação. No entanto, faço questão de colocá-la aqui porque há músicos que passam a missa inteira discutindo sobre o CD novo do artista X e o clip novo da cantora Y e não dão a mínima para a celebração. Isso quando não resolvem sair para bater papo durante a homilia… Sem comentários.

8)  Fazer introduções e solos intermináveis


Não existe nada mais irritante na música litúrgica quando a música leva mais de um minuto para começar a cantar. Você NÃO PRECISA tocar exatamente igual ao que está no CD. Os arranjos de um CD são feitos com outras finalidades, nem sempre adequadas à liturgia. Portanto, ao iniciar uma música, pode mandar dois compassos no tom e na levada corretos e meta bronca!

9)  Músicas desconhecidas


“Pô a banda X tem uma música linda que tem tudo a ver com o evangelho de hoje…” Sim, querido, mas eles vão cantá-la? Então sinto muito. Se você tiver tempo para ensinar as pessoas a cantarem a música antes da celebração, ótimo, se não, deixe-a para ouvir em casa na sua oração pessoal. As pessoas precisam participar da missa e não assistir a um espetáculo seu.

10)  Não conhecer liturgia


Toda pessoa que se presta a qualquer serviço precisa ter um mínimo de formação na área. Se você não sabe fazer um lá menor no violão, você vai querer pegar para tocar na missa? Então por que você acha que pode tocar numa missa sem sequer saber do que se trata o que está acontecendo ali? Procure livros sobre o assunto, sites confiáveis, documentos da Igreja. Ao assumir um serviço para Deus você tem a obrigação de fazer bem feito e isso inclui conhecer em profundidade o mistério que está sendo celebrado e ao qual você diz servir.

Luis Felipe Barbedo


Luís Felipe Barbedo é cantor, compositor com formação em Teoria e Percepção musical, Harmonia Funcional e Produção Fonográfica. É formado em Psicologia e Letras e trabalha também como professor de Língua Portuguesa. www.luisfelipebarbedo.com

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