16/07/2014

O QUE VOCÊ ACHA DAS FESTAS DE PADROEIROS QUE NÃO TÊM AO MENOS UM SHOW QUE SEJA DE UMA BANDA CATÓLICA?

Ao contrário, muitas promovem músicas sem qualidade e sem conteúdo. Evangelização e entretenimento católico combinam com músicas que falam de adultério, bebedeira e pornografia? Existem músicas da cultura popular de qualidade, é claro, e aí devemos seguir o conselho do Apóstolo Paulo “examinai tudo e ficai com o que é bom”. Inclusive há muitos grupos que valorizam as tradições regionais, falam do amor, da fé, sem falar estritamente de Deus. Não falo destes, que são coerentes e buscam músicas de qualidade que não firam a dignidade humana e precisamos deles.
Há muita música boa por aí. E não são somente as católicas. Não quero fortalecer uma visão maniqueísta. Estou dizendo de paróquias que contratam bandas que cantam músicas que incentivam o consumo de álcool, fazem apologia ao adultério, simulam gestos obscenos em suas coreografias. Não podemos escolher melhor as atrações de nossas festas de padroeiro? Música católica não “junta público”? Por quê? Uma das respostas é que nós católicos consumimos mais música secular do que católica. Não é só o show. Quantos CDs, quantas rádios, TVs nós temos? Como fortalecer esse novo método de evangelização? A Igreja existe para “juntar público” e arrecadar dinheiro? Queremos oferecer o quê? A pergunta é “para quê”? Qual é a nossa causa? O que motiva a nossa luta? Como implantar a Igreja nos lugares aonde ela não chega? Como fortalecer uma Igreja que seja de fato “missionária”? O povo não vem? Será que não somos nós que precisamos ir ao povo? Evangelizar nas praças, nas festas de padroeiro com shows católicos?
Escrevo este artigo em um dia onde estão acontecendo protestos e manifestações em várias cidades do país. A mobilização foi enorme. Pessoas de todas as idades clamando por justiça, transporte público de qualidade e com preço justo, liberdade de expressão, paz. Nas redes sociais pipocam inúmeras campanhas: #vempraRua #OgiganteAcordou #MudaBrasil.
Nós também na Igreja precisamos acordar e levar projetos para as secretarias de cultura. Há verba para isso. Buscar parcerias, patrocínios. Acreditar mais no que nossa música pode realizar. Nossas falas são enfadonhas ou cheias de amor, verdade e vida? Vamos retomar o fôlego! Cultura, informação, entretenimento, dignidade, mas, sobretudo, evangelização. A Igreja existe para evangelizar! “Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, sua mais profunda identidade” (Paulo VI in “Evangelii nuntiandi“, 14). Somos muito mais fortes do que imaginamos.
Quantas prefeituras usam o nome do santo e da festa (eu poderia citar mais de 10 que vieram à mente agora) para atraírem o público? Alguns se utilizam da festa para campanha política. Quer uma prova? Em uma de nossas cidades vi recentemente umoutdoor em letras garrafais “Santo Antônio te espera”… e fiquei pasmo pois TODAS as atrações eram de bandas de forró que já no nome traziam apelo sexual. “Santo Antonio, me espera para quê?” Não seria a oportunidade para mostrarmos que nossa Igreja está mais viva e jovem e que temos vários estilos musicais também? AO MENOS UMA… atração deveria ser católica. Nossa música ajudaria a meditar as virtudes do santo padroeiro, instigaria a busca da santificação das famílias, criaria espaços de fraternidade e convivência e não de bebedeiras e excessos. A nossa “conversão pastoral” não pode ficar somente no papel.
Precisamos mudar radicalmente algumas posturas e escolhas de nossas festas de padroeiro. Isso não é responsabilidade só do padre, mas de todos nós. Muitos conselhos pastorais e paroquiais ainda não acordaram para a urgência da evangelização. As festas podem servir de grande oportunidade de evangelização, formação, oração, e ação social. Não somente celebrar, festejar, mas mobilizar o povo para a importância da oração que nos move para a solidariedade. Implantar o Reino de Deus aqui lutando por justiça, amor, paz, pão, e restauração da dignidade humana com todas as suas necessidades. Os frutos dessa “Nova Evangelização” são conversões, reestruturação da família, abandono dos vícios de álcool e drogas, desejo de servir a Deus e aos pobres, vontade de ser comunidade e se inserir na paróquia.
Vamos juntos, porque juntos somos mais fortes e vamos mais longe! Música que fala do evangelho… que anuncia e denuncia! Música que leva Cristo com poesia, profissionalismo e profecia!  Avante! Festa de Igreja? Música de Igreja!

Fonte: http://diegofernandes.blogspot.com.br/
Diego Fernandes

Diego Fernandes

Diego Fernandes é Autor do livro “A Igreja é jovem! Não tenha medo de ser de Deus”. Cantor e compositor católico, formado em Filosofia, Comunicação Social - Rádio e TV e Pós-Graduado em Psicopedagogia. Coordenador do Departamento Católico da gravadora Atração Fonográfica. Contato:contato@diegofernandes.com
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