04/05/2013

PREGADORES E CANTORES



Chego perto dos 40 anos de canção. E é claro que tenho algo a dizer sobre isso de cantar na Igreja. Não é que saiba tudo, mas quem enfrentou anos de paciente exercício deste ministério e ouviu de tudo a favor e contra tem algo a partilhar. E é o que estou fazendo, como sacerdote e como professor de comunicação.
Uma canção vai muito mais longe do que uma palavra. Não é melhor nem mais substanciosa do que uma palavra. Apenas a enfeita e projeta um pouco mais Por isso, sempre que possível devemos trazer a canção para perto das nossas pregações.

Quem se faz cantor e privilegia a canção faz uma boa coisa. Quem quer ser pregador e eventualmente cantar tornando a canção secundária faz uma boa coisa.
Há profetas que falam e há profetas que cantam. E há quem faça as duas coisas.
Eu faço as duas coisas, mas se tiver que escolher. Seguramente escolherei pregar. A canção pode e deve esperar.

O bispo que me ordenou não pôs nem um violão, nem gaita nem piano em minhas mãos. Pôs uma Bíblia, um pão e um cálice. Daquele dia em diante entendi que deveria resistir à tentação de cantar só porque alguém deseja me ouvir cantando.
Se o que tenho a dizer não puder ser dito cantando e se a letra da canção não ajudar o texto bíblico ou o que o Papa ou os bispos mandaram dizer, eu simplesmente não canto. Minha canção seria um enfeite errado no lugar errado. Atrapalharia a Palavra da Igreja.
Se porém minha canção ajudar, então eu canto. Existe hora em que o pregador pode cantar e há outra em que ele não deve cantar. Mesmo que não seja compreendido nem aplaudido pelos que querem ouvir sua canção.

Jesus não precisa de cantores, e sim, de anunciadores de seu evangelho. Se pudermos anunciá-lo cantando, cantemos. Se cantar ficar tão importante que a canção abafa o sermão ou a leitura do dia, suprima-se a canção e silenciem os cantores. O povo não vai à missa para cantar. Vai celebrar. E é perfeitamente possível celebrar sem cantar. Infelizmente também é possível cantar sem celebrar. Isso acontece quando o texto da missa está dizendo uma coisa e os cantores outra, só porque o grupo gosta daquela melodia. Tais cantores não estão celebrando. Estão apenas enchendo a missa de música errada.

Nós que cantamos devemos pedir a Deus e à Igreja que nos corrijam se estamos dando excessiva importância ao canto nas igrejas. A canção continua sendo o chantili do bolo. Dá-lhe um sabor especial, mas não pode substituir o bolo. Nenhuma canção tem tanto conteúdo! Entre cantar e falar, falar continua mais importante. Que nós cantores aprendamos a falar e pregar. Sobretudo se formos sacerdotes! Os bispos não ordenam cantores. Ordenam pregadores!

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